quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

. o dia em que me tornei forte .

. explicação do texto .

Este texto teve início há pouco mais de dois anos. Começou em um papel, que talvez devesse ser jogado fora, mas acreditei que se transformaria em algo mais que um pensamento e por isso durante este tempo ele ficou comigo. Hoje ele se encontra com muitas rasuras e rabiscos; não sei ao certo se completo, mas ao menos transformado.
Quando terminei há pouco mais de três meses, não sabia quando deveria postá-lo, ou se deveria fazê-lo, mas as palavras foram aparecendo, e a cada frase que se formava percebia que este era o texto que faltava para escrever os próximos. Sabia que deveria descrever algo para me escrever.
Muitas coisas mudaram; as palavras, a colocação das mesmas, a pontuação. Paragrafos foram desfeitos, frases pularam de suas linhas. E assim, o título foi uma das únicas, se não a única coisa a ficar intacta. Confesso que tentei mudá-lo, mas provavelmente levaria mais dois anos.
O fato de ter todo este tempo pode causar uma grande expectativa, mas por favor, tentem deixar este sentimento de lado e apreciem a simplicidade deste texto, que envolve uma pequena parte da minha humilde complexidade.

. o dia em que me tornei forte .

O dia em que me tornei forte foi quando pela primeira vez me vi sentada em um banco esculpido pelo mar onde meu rosto estava coberto de lágrimas, estas se estilhaçavam no chão criando cacos que me machucavam quando caiam. A dor era tanta que arrancava mais lágrimas dos meus olhos, fazendo com que estes perdessem a cor. O céu que existia dentro deles ficou apenas com nuvens, impossibilitando-me de ver qualquer coisa, apenas sentir.
Então o tempo fez-se humano e pude senti-lo chegando calmamente ao meu lado, sussurrou em meu ouvido que hoje à noite o hoje deixou de existir e foi-se com a brisa suave das águas que ao se juntarem com minhas lágrimas deram-me uma nova visão, mas ainda assim as escuras nuvens confundiam minha vista. Tudo era turvo, não dava para ver o belo colorir da natureza, só via as cores enfraquecidas.
A chuva chegou, e com ela o oceano azul dos meus olhos ganhou tamanha nitidez que era impossível não ver a intensidade das nuvens agora brancas por terem descarregado toda a água que continham. O céu desenhou-se em meus olhos ocupando o lugar ideal dos meus sonhos. Então o sol apareceu no infinito oceano, cada cor ocupou seu lugar. Algumas se juntavam, outras ficavam sozinhas, mas não solitárias, pois faziam parte da grandiosa paisagem que a luminosidade trouxe. Tudo era tão mágico e ao mesmo tempo tão real que não pude acreditar no que estava vendo, pisquei algumas vezes, com a fracassada idéia de que tudo não passava de uma miragem, mas quando abri meus olhos não consegui me mover graças à tamanha magnitude e a deliciosa sensação da realidade. Era impossível me mover, assim o possível pareceu distante demais para mim.
Olhando para meus pés vi que estava descalça em um macio tapete de areia, senti que deveria segui-lo, mas não sabia como, apenas andei sobre ele. Meu caminho muitas vezes perdido encontrou-me caminhando sem rumo, e ao invés de me mostrar como caminharia por ele, levou-me. Percebi que não sabia para onde estava indo, apenas brincava com as ondas deliciando-me com o frescor de suas gotas que desenhavam em minha pele. Com o vermelho do por do sol, estes desenhos foram coloridos e as estrelas iluminaram-nos como se fossem obras de arte do melhor artista. A lua tomou seu lugar de direito, as estrelas piscavam umas para as outras e junto com as águas criavam uma musicalidade incomparável.
Sentei-me, e ao observar toda esta grandiosidade, despertei para a imensidão dos acasos que transformam a vida na maravilhosa caminhada infinita das relações. E então, veio a brisa suave, mexeu delicadamente em meus cabelos, fazendo com que eu sorrisse e soubesse que este dia não foi apenas mais um, mas o inicio de outros.

segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

.o celular no banho, a chave tentando entrar e Focault numa fria.

Fazia algum tempo que não via meu celular, lembrava de ter deixado o mesmo em algum lugar da minha casa, como ele sempre vibra e nunca fala nada quando toca, tive de procurá-lo, mas procurei por tanto tempo que resolvi aderir ao dito popular que diz que “quanto mais você procura, menos encontra” ou algo do tipo. Parece-me mais profundo tratando-se de pessoas, mas é reconfortante saber que de alguma forma da pra usar com objetos. Ele ficou perdido, e eu realmente precisava dele. Quando se esta para acabar o período é surreal a quantidade de telefonemas recebidos e feitos. Como estava sem o celular tive que esperar em casa por um telefonema, como ainda faltavam alguns minutos resolvi tomar banho. Eu costumo tomar banho ouvindo musica, mas com esta era da internet admito que meus CDs se perderam e não da para levar o laptop para o banheiro. Mas mesmo assim quando da tempo e não são 6 da manhã eu me dou ao trabalho de procurar CDs para ouvir ao tomar banho. Ao puxar o aparelho de som que fica em um espaço entre o chão e a pia, ele apareceu, semi-morto, cansado de vibrar incessantemente por ajuda acabou desmaiando e tive que dar uma carga para que ele voltasse a vida. Não tomei o banho com o tempo que queria, mas pelo menos recuperei telefones importantes, já que hoje em dia ninguém anota telefone em papel e ganhei umas horinhas a mais de estudo, até porque no dia seguinte planejava acordar e estudar para as provas.
Acordei, já na hora do almoço, então saímos para almoçar em um domingo chuvoso. Não me lembro ao certo o que conversávamos, só me lembro de afrontá-lo sobre alguma coisa intelectual onde eu com todo o meu conhecimento sobre o assunto afirmei que ele nunca entenderia certas linhas da psicologia. Ele riu de uma forma irônica durante todo o caminho, que não era grande, mas do tamanho suficiente para me deixar irritadíssima porque só fazia suas irreverentes afirmações com um pequeno conhecimento do que estava falando; sendo que não me deixava discorrer sobre o assunto, pois não parava de falar, parecia até comigo. Reclamei que ele não deixava eu me defender, ele sorriu e disse que estava certa. Eu podia até estar errada em relação a sua intelectualidade, mas realmente acho que Lacan necessita de um conhecimento básico de Freud que é o tema principal do curso de psicologia que dura apenas cinco anos, posso estar errada, mas mesmo assim nem isso eu pude falar.
Almoçamos; eu ainda muito irritada porque em um domingo eu almoçava num restaurante onde como quase todos os dias, sendo que não tenho muitas opções, levando em consideração minha opção vegetariana, que aliás foi mais um assunto que eu não podia falar só ouvir. E isso com certeza reforça meu sentimento acima. O garçom ofereceu sobremesa, não quis, resolveu comer a minha barra de chocolate. De qualquer forma eu tinha que voltar depressa pra casa, Focault me esperava em forma de pilhas de papeis espalhados pelo meu quarto. Fim de período, bem-vindo à falta de vida!
Chegamos em casa e vi minha chave já na porta, “não bastava a barra de chocolates ainda usa minha chave?” pensei erroneamente. Não me lembro ao certo suas palavras, mas o que foi dito deixou-me intrigada e um sorriso fez-se na minha boca. Eu havia trancado a casa e deixei a chave na porta, obviamente do lado de fora.
No dia seguinte Focault ainda estava no meu quarto me esperando, não bastasse dormir comigo ainda quer passar o dia todo em minha companhia. Organizei os papeis todos, escolhi um lápis para escrever neles, tomei um café e fui para a sala. Procurei por toda a parte a “Microfísica do Poder”, ela desapareceu. Entrei no quarto, perguntei se ele havia visto Focault, nada, nem rastro. Decepcionada fui tomar outro café, não que fosse me deixar mais calma, mas estava frio e café me pareceu apropriado. Como em toda boa cidade tropical Niterói é um lugar que deveria ser quente, então temos por habito colocar o açúcar na geladeira por causa das formigas. E lá, ao lado do açúcar estava ele, aprisionado em uma instituição total, como ele mesmo fez questão de me ensinar o conceito; Michel Focault. Voltei pra sala correndo pedindo milhões de desculpas e pelo amor de Deus para ele me ensinar tudo até a sexta.
Focault ainda está aqui em casa, a chave encontra-se do lado de dentro e o celular voltou a vibrar. E eu? Bom, eu já sou uma outra história...

sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

.o homem da minha vida.

Quando era criança ouvia todo o tipo de histórias. Às vezes meu pai me conta que vivíamos pedindo para que ele repetisse algumas; “Pai, conta mitologia para a gente?”. Eu me pergunto que tipo de criança aos sete anos quer ouvir mitologia grega? E a resposta me parece muito simples; àquelas que têm bons contadores.
Mas nem só de mitologia vivíamos. Existiam também baratas que se casavam com ratos, princesas que namoravam sapos, cavalos brancos, e todo o pacote de histórias infantis possíveis. Posso até arriscar que algumas ele inventava. Mas tudo, parecia tão real e tão glorioso, que às vezes não queria que fossem apenas contadas, mas sim coisas para se contar. Queria viver aquilo tudo, queria experimentar para ver como era fazer parte de uma história.
Vivi muitas histórias, e a cada uma, uma nova experiência, uma nova forma de olhar surgia. Histórias românticas, histórias de terror, comédias, suspense, ação, e tudo aquilo que sempre ouvíamos meu pai contar. A verdade é que em todas as histórias que ele contava, todas elas, tinham um final que dizia “...e viveram felizes para sempre.”. Algumas das minhas histórias tinham final feliz, mas a única coisa eterna são os sorrisos discretos que dou em uma tarde de recordações. As tristes trouxeram maturidade, as românticas uma grande decepção, mas a vontade de seguir em frente. As de ação não eram comuns, já que correr nunca foi uma opção. Tragédias foram poucas, mas trouxeram vida. E as comédias foram um aprendizado, pois é vivendo que se aprende.
Papai é o homem que nos ensina a comédia. Leva a vida como ela deve ser; leve, alegre e simples, pois é na simplicidade que se encontra verdadeira felicidade. Ele vive sorrindo e vivendo histórias que só ele pode viver, já que será o melhor “contador” das mesmas. Ele conta tudo com tanto amor e carinho que até alguém que passa distraído é atraído.
Hoje faço parte das suas histórias, e as minhas eu inseri nas dele, já que ele sabe contar melhor do que eu. Mas minha vida, em toda ela, foi ele que me fez ver o verdadeiro significado de homem e vida.
Vida não é o que você dá a alguém, é o que não se quer viver sozinho. Homem não é apenas uma determinação divina, é o que se escolhe ser. Meu pai é um homem por opção, e vive com a gente porque viver sozinho seria chato para um contador de histórias. Ele pode ser apenas um pai com três filhos e uma esposa, que vivem em uma casa com um belo jardim e alguns cachorros. Sair de casa cedo para trabalhar, voltar para casa para almoçar, beijar a testa de sua esposa e sair novamente...
...ei, isso não parece uma história que ouvia na sua infância? Bom, para mim é.

segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

.a facilidade de ser engenheira quimica.

Minha mãe certa vez disse que na minha família todas as coisas acontecem como não devem acontecer. Ela nunca cita nenhum exemplo claro, até porque seriam tantos que nunca vem nada à cabeça dela. A verdade é essa mesmo, na nossa família é tudo tão diferente que o complicado acaba sendo o mais fácil. Mas quem disse que o mais complicado é tão divertido quanto o diferente? Eu que não fui.
A historia toda começou quando abri minha caixa de e-mail e lá estava uma mensagem com o assunto: Quem quer se formar? Poxa, assim sem precisar fazer esforço nenhum? Melhor seria perguntar quem não quer se formar.

- Tudo bem André, posso me formar por você.
- É fácil, você tem uma procuração minha, vai lá e vê isso pra mim por favor?
- Tudo bem André.
- Obrigado Debrinha.
- Que isso, fala sério. Vou adorar me formar em engenharia química.

E foi assim que começou mais uma historia da família que foge do complicado para entrar nas diferenças. A verdade é que se fossemos analisar o que estávamos fazendo, não teríamos nem pensado em fazer nada. Mas sabe como são as famílias; se um idealiza e outro não coopera, ninguém faz nada. A minha é exatamente assim, mas é claro, todos cooperam, não só cooperam como ficam atrás de nós fazendo torcida organizada e tudo. O que acontece também é que ninguém nunca pensaria em pedir a qualquer pessoa que seja para deixar uma procuração por causa de uma viagem de 6 meses, mas é claro, meu pai é alguém, e sabe-se lá porque ele pensou. Meu pai é um cara que vê as coisas muito além, até mesmo, da imaginação dele. Você nunca sabe dos porquês de certas atitudes dele, posso até arriscar que às vezes nem ele sabe, mas esses porquês sempre surgem, e digo mais, da forma mais inusitada e diferente possível. A minha mãe sempre fala que meu pai é todo “diferentão”, ela está certa, na verdade ela está quase sempre certa, e quando não está, errado é quem dá razão a ela. É claro que para toda boa idéia, existe uma pessoa que necessita da mesma, um idealizador, um pensador, alguém que torça para tudo dar certo e alguém que concretize. Sem qualquer um destes quesitos, nenhuma idéia da certo.É, pois é, O Dedé precisava da idéia, o papai era o idealizador, a mamãe a pensadora, o Tito era quem dava força, muita força, e eu fiquei logo com a parte de concretizar tudo...

...- levante seu braço direito na altura do ombro e abaixe quando terminar de ler o texto.
(- Que situação estranha...)
Engenharia Química
"Prometo que no cumprimento do meu dever de ENGENHEIRO QUIMICO, não me deixarei cegar pelo brilho excessivo da tecnologia, não me esquecendo de que trabalho para o bem do homem e não da máquina. Respeitarei a natureza, evitando projetar ou construir equipamentos que destruam o equilíbrio ecológico ou poluam o meio ambiente. Colocarei todo o meu conhecimento cientifico a serviço do conforto e desenvolvimento da humanidade. Assim sendo, estarei em paz comigo e com Deus."
- Eu como Pró-reitor da Universidade Federal Fluminense autorizado pelo Reitor desta instituição dou a você ANDRE VON HELD SOARES P/ débora von held soares a diplomação de Engenheiro Químico.
- Nunca pensei que fosse tão fácil me formar em engenharia química.
- Nem eu.
- Este texto é muito bonito.
- Os textos de engenharia costumam ser bonitos mesmo. Espera na recepção que já trago o diploma de vocês...

É aí que vemos o real significado de família. Não só pessoas que têm nomes socialmente pré-estabelecidos em nossas vidas, mas pessoas que participem dela como se dependessem de coisas que são importantes para as outras. Tão importantes que o real significado do diploma é deixado para trás e o que passa a existir é uma conquista familiar que por mais diferente que seja, acreditou na impossibilidade do possível.

quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

.a volta do blog, na verdade pro blog.

- Liege
- Hã...
- Então... eu tenho um problema...
- Ih, o que foi?
- Acho que fiz uma besteira...
- Ai, Débora, o que vc aprontou dessa vez?
- Liege, acho que deletei meu blog.
- Vc fez o quê?
- Deletei meu blog.
- Por que vc fez uma idiotice dessas?
- Sei lá, eu apertei um botão aqui e apagou tudo.
- Pergunta pro Google se tem como vc reativar a sua conta.
- Já fiz isso.
- E aí, o que que ele disse?
- Que não tem como. E agora?
- E agora? Agora perdeu playboy.